Aqueles olhos azuis
Eu era apenas uma criança, encantada por aqueles olhos azuis.
Quando contava uma história o olhar arregalado pedia para que prestasse atenção em cada detalhe e um olhar doce terminava o conto dizendo fim.
_Vó conta de novo.
_Mais uma história?
_Mais uma não, vó. Essa mesma, outra vez.
_Não querida, agora é hora de tomar café.
E aqueles olhos azuis saiam, observavam o armário de um lado para o outro como quem procura algo de melhor. Parecia mágica, em poucos minutos estava tudo pronto, bolo, café, com um sabor inigualável.
Aqueles olhos azuis não se cansavam, não desanimavam e nem reclamavam, apesar da dura vida que sempre tiveram. Não eram olhos cansados. Sim, já haviam passado por maus momentos, aqueles olhos azuis, mas nunca demonstraram frustração, apenas esperança.
Ah!! Aqueles olhos diziam tudo, não precisa de palavras. Eram decifráveis. Olhos falantes.
Todas as noites aqueles olhos azuis iam descansar e se fechavam. Mas uma noite foi diferente, aqueles lindos olhos se fecharam, mas nunca mais se abriram. Lá se foram aqueles olhos azuis.
Talvez esse mundo não fosse bom o bastante para a grandeza e a força daqueles olhos, talvez os outros olhos fossem injustos demais diante dos olhos azuis de minha avó. Seus olhos se fecharam para sempre, e eu os vi tão poucas vezes. Talvez Deus precisasse daqueles olhos sinceros perto Dele.
Oh, meu Deus! Eu entendo que tenhas levado Aqueles olhos azuis, eu até tento compreender, mas uma coisa não deixarei de dizer: Como me fazem falta...
... Aqueles olhos azuis!
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PS:
Texto em homenagem a minha avó. Não, não faz pouco tempo que ela faleceu, já fazem onze anos, mas é que bateu saudade e escrevi.